terça-feira, 8 de novembro de 2011

TREINADOR DE FUTSAL

Ensinar a cooperar: uma premissa para os treinadores de jovens

Wilton Carlos de Santana

Mestre em Pedagogia do Movimento pela UNICAMP (SP)

Doutorando em Educação Física na UNICAMP (SP)
Phil Jackson expressou no seu livro
Cestas Sagradas – Lições Espirituais de um Guerreiro das

Quadras
Leitura obrigatória para os técnicos de esportes coletivos que “A batalha pelas mentes dos
jogadores começa bem cedo. Muitos jogadores talentosos começam a receber tratamento especial assim
que iniciam o ginásio, e quando finalmente chegam ao profissionalismo, já receberam mais de oito anos de
paparico”. Trata-se de uma influência psicológica que não pode ser desprezada na formação de um jogador.
O futsal é um esporte em potencial para um equívoco desse tipo. Basta lembrar que as crianças se
iniciam, em alguns casos, aos cinco, seis anos de idade e em geral são acompanhadas pelos familiares,
que representam a torcida nessa fase, por longo período. Além do “paparico”, parte da família é acusada de
colocar muitas expectativas sobre os filhos, cobrando-os excessivamente por um rendimento elevado.
Não se trata de dizer que todos os pais atrapalham os filhos esportistas, mas apenas de alertar que
ao lidarem com crianças, pais e treinadores deveriam dedicar especial atenção à vida emocional daquelas.
Nesse sentido, ambos deveriam encorajá-las. Treinadores, além disso, têm a obrigação de orientá-las
nessa caminhada que se inicia e também aos seus pais quanto ao comportamento indicado para
acompanhar treinos e jogos.
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Isso, sem dúvida, deveria ser fomentado, com afinco,
nas categorias menores, o que, em potencial, deixaria
uma herança promissora (...) Time é sistema. Exigirá,
sempre, envolvimento, empenho, amizade. Sem isso
não é time. É um bando de desencontrados.
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O que me chama a atenção no discurso do Phil Jackson é a repercussão do paparico para o futuro do
jogador, já que ele não tocou na questão da cobrança exagerada. De fato, não são poucas as vezes que os
treinadores de alto rendimento têm dificuldade de lidar com o ego dos jogadores. Há os que assumem para
si imagens de competência que não correspondem à realidade, outros almejam privilégios, outros não
sabem lidar com críticas, há os que não sabem se engajar num projeto coletivo etc. Tudo isso seria
amenizado se as experiências esportivas desses jogadores fossem permeadas por valores e atitudes
cooperativos.
A minha preocupação faz sentido, pois, inegavelmente, quem não souber cooperar terá sérias
dificuldades no esporte coletivo. A equipe somente será um time quando criar uma unidade, isto é, uma
identidade coletiva. É a coletividade o que gera consistência. Nesse sentido, o jogador deve aprender com o
técnico, desde cedo, a sentir, a pensar e a agir cooperativamente. É preciso aprender o quanto antes que
num ambiente competitivo como o do futsal de rendimento elevado, a capacidade de cooperar faz a
diferença. Isso, sem dúvida, deveria ser fomentado, com afinco, nas categorias menores, o que, em
potencial, deixaria uma herança promissora.
Fica para o treinador de jovens (e de profissionais) a seguinte premissa: é preciso, primariamente,
transformar um bando num time. Time é sistema. Neste, os elementos se afetam incondicional e
permanentemente. Isso exigirá, sempre, envolvimento, interesse, empenho, integração, inter-relação,
inclinação, afeto, amizade, amor, prazer. Sem isso não é sistema, não é equipe, não é time. É um bando de
desencontrados.

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