Antes da pausa de inverno, o FC Zurich está atualmente na
primeira colocação do Campeonato Suíço, invicto e com sete pontos de vantagem em
relação ao Kriens, segundo colocado. Grande parte do sucesso se deve a duas
jogadoras da seleção alemã, Sonja Fuss e Inka Grings, que no meio do ano
surpreenderam a todos ao assinarem contrato com o clube recordista de títulos
suíços.
Enquanto Fuss garante a estabilidade no setor defensivo, Grings
já marcou dez gols em um total de 480 minutos em campo pelo FC Zurich.
Aproveitando a boa fase, o FIFA.com conversou com exclusividade com as duas
craques que estão tendo muito sucesso no novo clube.
Um novo desafio
"Quando você deixa a Bundesliga para se transferir para outra liga da
Europa, você acaba realmente indo para um campeonato mais fraco, porque o
Campeonato Alemão é um dos mais fortes do planeta", comentou Fuss. "Mas fiquei
surpresa com o nível do Campeonato Suíço, principalmente com o empenho do FC
Zurich, as condições de treinamento e a qualidade da equipe. É muito divertido e
nos integramos muito bem ao clube."
Sentada ao seu lado, a colega Grings
concordou. Depois de 16 anos, a atacante, que já vestiu a camisa da Alemanha em
96 partidas, deixou o Duisburg para se transferir para a terra dos chocolates e
dos relógios. Fuss também estava no mesmo clube, e as duas decidiram juntas
rescindir o contrato e ir para o FC Zurich — uma decisão que muitas pessoas não
conseguiram compreender.
"Para ser sincera, preciso reconhecer que para
mim a ambição de jogar no exterior prevaleceu", prosseguiu Fuss. "Já havíamos
conversado sobre a ideia de nos transferirmos juntas para fora do país. No final
das contas, havia apenas duas opções: ou o Rossyanka (da Rússia) ou o Zurique.
Então, para falar a verdade, deixei a decisão para a Inka, porque as duas
alternativas me agradavam. Mas estou feliz que a Inka tenha escolhido o FC
Zurich, porque esta sempre foi a minha preferência."
Para Grings, muito
ligada às suas origens, também pesou o fato de a Suíça ser mais próxima da
Alemanha e de a língua não representar uma grande barreira. "Estou convencida de
que podemos construir algo legal aqui", afirmou a atacante. "Do ponto de vista
técnico, fiquei encantada com a equipe desde o princípio. Tenho certeza de que
esse clube pode chegar longe."
Frustração e determinação
A decepção
com a eliminação nas quartas de final da Copa do Mundo Feminina da FIFA Alemanha
2011 foi enorme, mas já é hora de deixar o fracasso para trás. "Foi o pior
momento da minha carreira, porque nunca fui campeã mundial", afirmou Grings.
"Sempre foi o meu sonho e é para isso que sempre joguei bola, para um dia vencer
uma Copa do Mundo. Felizmente, já fui campeã europeia, mas vencer o Mundial é o
ponto máximo em se tratando de esportes coletivos. Mas a vida continua e o
futebol também. As derrotas devem nos deixar mais fortes e é preciso aprender
com elas. Saí fortalecida disso tudo principalmente no aspecto mental."
Fuss também viveu uma grande decepção em 2011, já que ficou de fora do
Mundial Feminino disputado no seu próprio país. Ela foi uma de cinco jogadoras
que foram cortadas do elenco às vésperas do torneio. Mas a jogadora de 33 anos
faz um balanço positivo da competição. "Foi a melhor Copa do Mundo Feminina da
história", declarou. "Tanto no que diz respeito à organização, quanto ao
incentivo do público. Acredito que a Alemanha e todo o mundo do futebol feminino
se lembrarão do torneio por muito tempo."
Juntas,
as duas jogadoras atuaram em 164 partidas pela seleção alemã, um número
certamente impressionante. Além disso, as duas marcaram um total de 67 gols,
sendo que Grings marcou 64. Não é de admirar o fato de ela ter sido seis vezes
artilheira da Bundesliga, além de ser a maior goleadora de todos os tempos do
Duisburg. Sem dúvidas, as duas estão entre as jogadoras mais experientes do
mundo e vivenciaram de perto a evolução do futebol feminino nos últimos anos.
"Acredito que é muito importante que consigamos estabelecer o futebol
feminino como um esporte de massa", comentou Fuss. "Cada vez mais meninas estão
praticando o esporte como uma forma de aproveitar o tempo livre para si próprias
e com as companheiras. Isso dá a elas a oportunidade de se divertirem e se
desenvolverem. Quanto mais garotas jogarem futebol, maior será a quantidade de
novos talentos surgindo. Com isso, o interesse e a qualidade também serão cada
vez maiores. Em cinco ou dez anos, começaremos a aproveitar um grande número de
recursos. Mas, como dizem, as sementes já foram plantadas."
Resoluções
para 2012
Em uma questão, Grings e Fuss concordam plenamente: não é possível
fazer comparações entre o futebol feminino e o masculino. "Não podemos nos
comparar com o futebol jogado pelos homens, isso simplesmente não funciona",
afirmou Grings. "São dimensões completamente diferentes. Mas é legal ver que as
pessoas dão bastante importância ao futebol feminino na Alemanha e, na minha
opinião, aqui na Suíça também."
Fuss completou a opinião da companheira.
"Enquanto o futebol masculino teve cem anos para se desenvolver, o feminino teve
apenas cerca de 40 anos, então não seria possível que o futebol feminino
estivesse no mesmo nível do masculino", enfatizou.
Ao perguntarmos para
as duas sobre as resoluções para o ano que vem, ambas concordaram que, além da
conquista do Campeonato Suíço e da Copa da Suíça, outra importante meta é
contribuir para a popularização do futebol feminino na Suíça. Afinal, Fuss
deixou claro que uma das melhores coisas que aconteceu a ela em 2011 foi ter
reencontrado no Zurique a alegria de jogar futebol.