Maurine, mais força pela esquerda
(FIFA.com) Sábado 2 de julho de 2011
Na Seleção Brasileira feminina, quem normalmente recebe a maioria das manchetes e da badalação são as atacantes. Mas o bom trabalho que o meio-campo e a defesa mostraram na estreia contra a Austrália prova que talento é o que não falta no grupo.
As atuações seguras de Fabiana, Formiga, Ester e Maurine no setor central foram fundamentais para o triunfo em Mönchengladbach, apesar de que, como de costume, o destaque foi todo para as renomadas atacantes do conjunto. No entanto, mais do que qualquer outra coisa, a determinação e o pragmatismo exibidos pelas meio-campistas mostraram que a geração de 2011 do Brasil tem condições de superar o vice-campeonato de quatro anos atrás e finalmente conquistar o primeiro título mundial do país.
"A pressão sobre a defesa foi muito grande no jogo contra a Austrália, mas acho que nos saímos bem", disse Maurine ao FIFA.com. "Vencer a primeira partida foi um passo importante que demos rumo ao nosso objetivo. Estava nervosa no começo, mas de um jeito positivo. Dá para dizer que isso é bom. Acho que consegui ajudar no resultado da estreia. É bom já termos disputado o primeiro jogo, porque assim podemos nos concentrar nos próximos compromissos."
Na véspera do encontro com a Noruega na Arena Allerpark, o clima entre as jogadoras brasileiras no hotel onde estão hospedadas é bem animado. O confronto deve ser decisivo para o desfecho do Grupo D, e a vitória provavelmente confirmará a classificação da Seleção. No outro jogo da chave, Austrália e Guiné Equatorial se enfrentam em Bochum.
Mas nem tudo é tão simples para Maurine. "As australianas têm um estilo de jogo, mas as norueguesas atuam completamente diferente", analisou. "Vai ser um desafio novo para nós. Sabemos que cada partida será difícil, um verdadeiro desafio. Precisamos nos concentrar para melhorarmos alguns pontos em relação à partida com a Austrália, apesar de a Noruega ser outro tipo de adversária."
A jogadora de 25 anos também atua na meia esquerda do Western New York Flash, dos Estados Unidos, o que significa que ela tem a chance de jogar ao lado de Marta tanto no clube quanto na Seleção. Maurine, que adora subir ao ataque sempre que pode para apoiar a companheira, admite com humildade que chuta bem com os dois pés.
Na seleção, ela atualmente joga pela esquerda, mas nem sempre foi assim. Maurine só se fixou no setor depois de ir bem na posição contra a Alemanha, em um amistoso há dois anos. Na ocasião, o gol que ela marcou, em jogada pela esquerda, garantiu o empate da Seleção com as anfitriãs em um estádio lotado por um público recorde para a modalidade na Europa.
Um "mini-Brasil" nos EUADepois do Torneio Olímpico de Pequim 2008, Maurine deixou o Santos e deu início à carreira nos Estados Unidos. Primeiro, passou pelo Atlanta Beat. Em 2011, foi contratada pelo Flash, o mais novo clube do Campeonato Americano, com sede em Rochester, cidade ao norte de Nova York com tradição no futebol feminino.
Segundo ela, a ida para os Estados Unidos ajudou no seu desenvolvimento profissional e pessoal. Morar com Marta nesta temporada colaborou para isso, já que a ganhadora de cinco prêmios de Melhor Jogadora do Ano da FIFA vive há algum tempo em território americano. A situação também criou um bom relacionamento entre ambas, tanto dentro quanto fora de campo.
Por ora, o foco das brasileiras é todo na conquista do primeiro título. Faltou pouco para elas em várias ocasiões, principalmente na final de quatro anos atrás, quando perderam da Alemanha por 2 a 0. "Várias vezes falamos que estivemos muito perto na Copa passada", disse Maurine. "Agora, queremos que seja a nossa vez. Estamos trabalhando muito para esse objetivo."

Nenhum comentário:
Postar um comentário